Conduta por condição

Crupe em pediatria

Manejo operacional do crupe por gravidade, com corticosteroide em todos os graus e adrenalina nebulizada nos quadros moderados/graves quando indicada.

Conduta contextualizada por Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte / SUS-BH · Sociedade Brasileira de Pediatria + 1.

01 · Enquadramento

Defina o cenário antes da conduta

Crupe típico combina tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório. Classifique por estridor em repouso, retrações/esforço, entrada de ar, agitação/letargia e cianose. Drooling, disfagia importante, posição em tripé, toxicidade, assimetria, corpo estranho ou resposta atípica exigem diagnóstico alternativo e avaliação de via aérea.

Limite desta páginaFluxo aplicável ao crupe típico. Epiglotite, traqueíte bacteriana, abscesso profundo, anafilaxia e corpo estranho têm manejo distinto.

02 · Paciente

Dados do paciente

Informe apenas os dados necessários para os regimes desta conduta.

kg

O resultado aparece quando os dados exigidos estiverem disponíveis.

03 · Antes da intervenção

O que muda a conduta

Faça primeiro

  1. 01Manter a criança calma e minimizar procedimentos que aumentem agitação. Oxigênio se hipoxemia; preparar via aérea avançada se houver exaustão/ameaça de obstrução.
  2. 02Corticosteroide é tratamento de base. A CPS 2026 descreve dexametasona oral em dose única de 0,6 mg/kg como regime altamente eficaz e com maior base de evidência.
  3. 03Crupe moderado/grave: ASSOCIAR epinefrina nebulizada ao corticosteroide — nunca apresentá-la como substituta da dexametasona. O benefício começa em 10–30 min e desaparece por volta de 2 h.
  4. 04Após epinefrina nebulizada, observar 2–4 h; alta só se não houver recorrência significativa e a criança estiver clinicamente bem.

Sinais de alarme

  • Estridor intenso com entrada de ar reduzida, exaustão, cianose/hipoxemia, alteração de consciência, retrações marcadas ou piora apesar de epinefrina + corticoide.
  • Drooling, disfagia, toxicidade, febre alta com aspecto séptico, tripé, início abrupto/asfixia ou recorrência fora da idade típica sugerem diagnóstico alternativo.

Evite

  • Não apresentar epinefrina como alternativa à dexametasona: no moderado/grave ela é adjuvante de ação rápida.
  • Não dar alta imediatamente após resposta à epinefrina; seu efeito desaparece aproximadamente em 2 horas.
  • Antibióticos e beta-2 agonistas não são rotina no crupe viral típico.

04 · Manejo

Conduta rápida

O essencial fica visível. Abra somente o passo em que precisa se aprofundar.

Comece aqui

Primeira linha

1 intervenção

O que fazer primeiro neste cenário.

Primeira linha · Ação clínica

Administrar corticosteroide

Dexametasona · Crupe — dose única

Ver medicamento completo
Use neste cenário

Crupe sintomático após avaliação clínica; corticosteroide reduz intensidade/duração e necessidade de novas intervenções.

Restrição do regime

Dose única; a via oral é preferida quando tolerada.

Resultado do pacienteInforme pesoO cálculo aparece apenas dentro de uma faixa documentada.

Adjuvantes

Associar / complementar

1 intervenção

Associar apenas quando o critério do próprio regime estiver presente.

Adjuvante · Ação clínica

Associar adrenalina nebulizada

Epinefrina (adrenalina) · Crupe moderado/grave — nebulização

Ver medicamento completo
Use neste cenário

Crupe moderado ou grave, especialmente com estridor em repouso e desconforto respiratório relevante.

Restrição do regime

Usar a solução 1 mg/mL por nebulização; não confundir com a preparação EV/IO da PCR. Exige observação após uso.

Resultado do pacienteInforme pesoO cálculo aparece apenas dentro de uma faixa documentada.

05 · Reavaliação e destino

O que revisar antes de encerrar a conduta

Reavaliação

Reavaliar estridor em repouso, retrações, entrada de ar, frequência/esforço respiratório, consciência e oxigenação após cada intervenção. Após epinefrina, observar por 2–4 h para atravessar sua janela de efeito.

Escalonamento

Persistência de doença grave, exaustão, cianose ou deterioração apesar de corticosteroide + epinefrina → equipe experiente de via aérea e UTI/anestesia/otorrino conforme disponibilidade.

Destino

Após epinefrina, alta somente se não houver recorrência significativa durante 2–4 h. Persistência de estridor em repouso, necessidade repetida de epinefrina ou ameaça de via aérea → internação/maior complexidade.

Limites da referência

Fluxo aplicável ao crupe típico. Epiglotite, traqueíte bacteriana, abscesso profundo, anafilaxia e corpo estranho têm manejo distinto.

Fontes da conduta

Diretrizes e referências de contexto

Taxonomia