Conduta por condição

Hipoglicemia sintomática em pediatria

Conduta imediata por gravidade, priorizando via enteral quando possível e glicose 10% 2 mL/kg IV em hipoglicemia grave, com investigação etiológica antes da correção quando isso não atrasar tratamento.

Conduta contextualizada por Royal Children's Hospital Melbourne.

01 · Enquadramento

Defina o cenário antes da conduta

Confirmar glicemia e gravidade clínica. Em criança sem diabetes, considerar hipoglicemia quando BGL <3,0 mmol/L com sintomas ou <2,6 mmol/L independentemente de sintomas; em neonatos <48 h, <2,6 mmol/L. Avaliar consciência, convulsão, jejum, ingestão, doença intercorrente, fármacos/toxinas, hepatomegalia, crescimento e sinais endócrino-metabólicos. Episódio grave, recorrente, inexplicado ou em <1 ano aumenta a probabilidade de doença de base.

Limite desta páginaOs limiares desta página são para crianças sem diabetes conforme RCH; diabetes e período neonatal precoce têm fluxos próprios. O bolus de glicose 10% é um protocolo operacional e a solução ainda não está modelada como medicamento calculável dentro do catálogo.

02 · Antes da intervenção

O que muda a conduta

Faça primeiro

  1. 01Quando consciente e com deglutição segura, preferir glicose enteral de ação rápida. Solução de reidratação oral não é tratamento adequado da hipoglicemia por conter pouco carboidrato.
  2. 02Em hipoglicemia grave — alteração cognitiva importante, convulsão ou coma — administrar glicose 10% 2 mL/kg IV. Se acesso IV estiver indisponível/atrasado, considerar via intraóssea ou glucagon IM conforme contexto; glucagon pode falhar após jejum prolongado.
  3. 03Em episódio inexplicado, grave ou recorrente, colher amostra crítica enquanto hipoglicêmico se isso for possível sem atrasar a correção: glicose formal, cetonas, insulina/C-peptídeo, cortisol, GH e lactato são prioridades; coletar a primeira urina subsequente para cetonas e metabólitos conforme disponibilidade.
  4. 04A normalização imediata não encerra o tratamento: após glicose rápida, fornecer carboidrato de liberação mais lenta quando a via enteral for segura ou manter fluido IV contendo glicose para prevenir recorrência.

Sinais de alarme

  • Convulsão, coma, alteração persistente de consciência, hipoglicemia recorrente/persistente ou ausência de resposta à correção inicial.
  • Hepatomegalia, hipotonia, crescimento inadequado, hiperpigmentação, defeitos de linha média, intoxicação suspeita ou padrão de cetonas inadequado levantam hipótese metabólica/endócrina/toxicológica.

Evite

  • Não atrasar correção da hipoglicemia sintomática para completar amostra crítica ou obter acesso venoso ideal.
  • Não considerar bolus de glicose tratamento completo: prevenir recorrência com carboidrato lento/aporte contínuo e tratar a causa.
  • Não usar solução de reidratação oral como fonte principal de glicose para corrigir hipoglicemia.

03 · Manejo

Suporte é a conduta principal

Sem fármaco de rotina

Este protocolo não força uma opção medicamentosa porque as fontes priorizam medidas de suporte e reavaliação. Medicamentos só devem ser usados quando houver outra indicação clínica específica e documentada.

04 · Reavaliação e destino

O que revisar antes de encerrar a conduta

Reavaliação

Repetir glicemia após a intervenção e acompanhar até estabilidade sustentada. Se houver recorrência, aumentar/continuar aporte de glicose e investigar a etiologia. Na alta de criança sem diabetes, a diretriz RCH exige BGL >3,0 mmol/L em duas ocasiões consecutivas separadas por 3 horas, ausência de sintomas e ingestão oral adequada.

Escalonamento

Não resposta ao tratamento, recorrência, necessidade de aporte IV contínuo elevado, convulsão/coma, neonatos ou suspeita de causa metabólica/endócrina exige pediatria e, conforme gravidade, terapia intensiva e endocrinologia/metabologia.

Destino

Alta apenas se a causa for conhecida ou compatível com jejum acelerado benigno, houver duas glicemias >3,0 mmol/L separadas por 3 horas, a criança estiver assintomática e tolerando alimentação, com educação e seguimento apropriados. Hipoglicemia inexplicada, grave ou recorrente não deve ser tratada como episódio isolado resolvido.

Limites da referência

Os limiares desta página são para crianças sem diabetes conforme RCH; diabetes e período neonatal precoce têm fluxos próprios. O bolus de glicose 10% é um protocolo operacional e a solução ainda não está modelada como medicamento calculável dentro do catálogo.

Fontes da conduta

Diretrizes e referências de contexto

Taxonomia