Conduta por condição

Sepse e choque séptico em pediatria

Protocolo operacional da primeira hora para sepse/choque séptico pediátrico: reconhecer disfunção orgânica, obter culturas sem atrasar tratamento, administrar antimicrobiano no tempo adequado, titular fluido à perfusão e iniciar vasoativo precocemente quando o choque persiste ou volume deixa de ser apropriado.

Conduta contextualizada por HC-UFMG / EBSERH · Society of Critical Care Medicine + 1.

01 · Enquadramento

Defina o cenário antes da conduta

Suspeite de sepse diante de infecção provável associada a deterioração e disfunção orgânica. Não espere hipotensão: alteração de consciência, perfusão periférica anormal, pulsos alterados, enchimento capilar anormal, oligúria, maior necessidade de oxigênio e lactato elevado podem precedê-la. Defina risco de disfunção miocárdica/sobrecarga antes de repetir volume.

Limite desta páginaAntimicrobiano empírico depende do foco, idade, origem, epidemiologia e risco de resistência. Concentrações e preparo de vasoativos só podem ser automatizados quando cadastrados como regime estruturado com fonte.

02 · Antes da intervenção

O que muda a conduta

Faça primeiro

  1. 01Monitorização contínua, pressão arterial seriada, acesso vascular, glicemia e suporte de via aérea/respiração conforme necessidade.
  2. 02Colher hemoculturas antes do antimicrobiano quando isso não causar atraso substancial. Lactato faz parte da avaliação inicial; demais exames e culturas devem ser dirigidos à disfunção orgânica e ao foco.
  3. 03Choque séptico: iniciar antimicrobiano o mais rápido possível, idealmente dentro de 1 hora. Sepse provável sem choque: investigação rápida e tempo-limitada; se a suspeita persistir, iniciar idealmente em até 3 horas.
  4. 04Em sistema com acesso a terapia intensiva, choque sem sinais de sobrecarga: bolus de 10–20 mL/kg, reavaliando após CADA bolus; total de 40–60 mL/kg na primeira hora é teto condicional, não meta automática. Interromper se choque resolver ou surgirem sinais de sobrecarga.
  5. 05Preferir cristaloide balanceado/tamponado para ressuscitação quando disponível; SF 0,9% permanece alternativa aceitável e pode ser preferível em cenários específicos.
  6. 06Se perfusão continuar inadequada ou novos bolus deixarem de ser apropriados, iniciar vasoativo sem esperar acesso central quando o acesso periférico adequado permite tratamento seguro, seguindo preparação fonteada do serviço.
  7. 07Controle do foco faz parte da ressuscitação: infecção passível de intervenção emergente deve ter controle de foco o mais cedo possível.

Sinais de alarme

  • Hipotensão para idade, rebaixamento, hipoxemia/falha respiratória, extremidades frias ou moteadas, pulsos muito finos ou amplos, enchimento capilar marcadamente anormal, oligúria, lactato em ascensão ou acidose persistente.
  • Crepitações/congestão, hepatomegalia nova ou piora e aumento da necessidade de oxigênio durante ressuscitação sugerem sobrecarga e contraindicam continuar bolus de forma automática.
  • Choque persistente, necessidade de catecolamina, disfunção miocárdica, múltiplas disfunções orgânicas ou foco que exige controle urgente demandam escalonamento imediato.

Evite

  • Não exigir hipotensão para reconhecer choque compensado.
  • Não atrasar antimicrobiano por cultura, imagem ou definição etiológica perfeita.
  • Não administrar 40–60 mL/kg como sequência fixa: reavaliar depois de cada bolus e interromper se houver resposta ou sobrecarga.
  • Não extrapolar concentração de vasoativo de um protocolo para outra preparação; a bomba só deve usar preparação estruturada correspondente.

03 · Manejo

Suporte é a conduta principal

Sem fármaco de rotina

Este protocolo não força uma opção medicamentosa porque as fontes priorizam medidas de suporte e reavaliação. Medicamentos só devem ser usados quando houver outra indicação clínica específica e documentada.

04 · Reavaliação e destino

O que revisar antes de encerrar a conduta

Reavaliação

Após cada bolus e cada ajuste hemodinâmico: frequência cardíaca, PAS/PAM, pulsos, TEC, temperatura de extremidades, consciência, diurese, necessidade de oxigênio e sinais de congestão. Reavaliar lactato em contexto e usar ultrassom hemodinâmico quando disponível e realizado por equipe treinada, sem atrasar terapia necessária.

Escalonamento

Choque refratário, aumento de vasoativo, hipoxemia/falha ventilatória, disfunção miocárdica ou progressão de disfunção orgânica → terapia intensiva imediatamente. Providenciar acesso central quando necessário sem atrasar início periférico apropriado do vasoativo.

Falha terapêutica

Persistência ou piora da hipoperfusão, hipotensão, oligúria, aumento de lactato no contexto clínico, necessidade crescente de oxigênio/ventilação, congestão após fluidos ou necessidade crescente de vasoativo indicam falha da estratégia atual.

Destino

Sepse com disfunção orgânica requer internação monitorizada. Choque, vasoativo, suporte ventilatório, deterioração rápida ou múltiplas disfunções → UTI pediátrica.

Limites da referência

Antimicrobiano empírico depende do foco, idade, origem, epidemiologia e risco de resistência. Concentrações e preparo de vasoativos só podem ser automatizados quando cadastrados como regime estruturado com fonte.

Fontes da conduta

Diretrizes e referências de contexto

Taxonomia